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Bodas de separação

 

 

        Dê uma olhada a sua volta e descubra que as pessoas que se separam, em sua maioria, enterram o lado bom do casamento e passam a remoer as lembranças ruins. Tudo bem, pode ser até uma forma de suportar a perda. Mas, no caso de viuvez, geralmente acontece exatamente o contrário: quem foi era tão bom!

        Donde se conclui: quando o matrimônio vai muito mal, um dos cônjuges devia ter a delicadeza de morrer.

        Depois de algum tempo da relação você percebe que ninguém muda ninguém, então restam apenas duas alternativas, mais ou menos sadias: aceitar e ceder ou pular fora.

        Conselho: é mais fácil azucrinar o parceiro e deixar que ele tome esta decisão. É o que a maioria dos homens faz e que vão me matar depois desta divulgação. Socorro!

Outra forma infalível é dar uma relaxada no visual e convidar aquela sua amiga gostosa (que acha que seu marido é tudo de bom) para se hospedar em sua casa.

        Durante doze anos eu perguntei aos meus advogados: “ele me vale mais vivo ou morto?” Como nunca obtive resposta dos ilustres causídicos (afinal homem é solidário até nestas horas) fui desenvolvendo um ódio tão grande pelo ex, que passamos a disputar “quem sacaneava mais o outro”. As brigas passaram a ser maiores que da época de casado e não tínhamos o lado bom do mesmo.

        Na ocasião eu ainda não conhecia a frase de Malachy McCourt: “Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”, mas já percebia os sintomas. Um dia resolvi tomar vergonha, ser inteligente e parar de martirizar a mim e principalmente as crianças que não tinham absolutamente nada com isso.

         Como havia sempre a ameaça de tirar a guarda das crianças de meu poder, eu não ousei me casar novamente, mas quando ele se casou...

          Ah! A dor foi tão grande que quase enlouqueci.



Escrito por Rail às 17h01
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         Não era ciúme. Foi inveja mesmo, uma inveja terrível, por ele estar refazendo sua vida, estar amando novamente e eu não.

        Só tinha um jeito para reverter a situação: um exercício sobre-humano de tentar recordar o lado bom de nosso casamento, não entrar mais nas provocações agressivas e obrigá-lo a perceber que eu queria me tornar apenas sua amiga.

        Foi um trabalho de remanejamento das emoções, que durou quase um ano para ele perceber que eu tinha arrancado de mim todo rancor e que não tinha mais volta: nem da raiva, nem da relação amorosa.

        Passamos a nos encontrar as escondidas, pois precisávamos conversar sobre, principalmente nesta fase de adolescência, nossas não mais crianças. E sua atual esposa morria de ciúmes de mim. Nos divertimos muito neste período.

        Minha vingança:

_ No dia em que você morrer (pois claro, que você vai bater as botas antes de mim) eu vou ao seu enterro com um chapéu maravilhoso, salto alto, vestido justo e decotado, toda de preto. Vou chorar tanto, me jogar em cima do caixão e num tom que sua mulher possa ouvir, dizer: Ele me ajudou até o último instante, o que será de mim?

        Assim ela não poderá aporrinhar sua paciência por você estar conversando comigo. Estará morto mesmo.

        Meu arrependimento:

        Pro resto de minha vida, vou pedir perdão aos meus filhos por terem presenciado os anos negros de nossa separação.

        Hoje, que completamos 25 anos de separação e que você se tornou meu grande amigo, agradeço a Deus por você estar vivo.

Amo você de maneira especial como amo os seus filhos, os irmãos de meus filhos.

Sinto muito ter demorado tanto tempo pra perceber que quando um não quer...E que os filhos não merecem.

Feliz Bodas de Prata de Separação.



Escrito por Rail às 16h59
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