Minha melhor amiga e meu namorado...namorado? Nada como ter um namorado ciumento, mas tão ciumento, que numa das crises me acusou de estar tendo um caso... um caso com minha melhor amiga. Tudo porque vivíamos sempre juntas trocando confidências, dissecando todos assuntos e pessoas, falando horas no telefone e dando muita, mas muita risada. Aquelas coisas que mulher só conta pra mulher e que homens também cometem na mesa de um bar ou quando se encontram num jogo de futebol. Pois não é que quando Madá saiu de casa, depois de duas horas de papo, Aderbal me jogou na cara: -Acho que vocês são duas lésbicas. Como se tivesse caído um raio, fiquei paralisada. Respirei fundo e fui para meu quarto. Fechei a porta, apaguei a luz, deitei em minha cama e comecei a pensar numa relação íntima com Madá. Vi minha querida amiga em pé, aos pés da cama, ainda vestida com seu terninho preto com riscas de giz. Olhei para seu rosto...como ela é bonita! Mentalmente mandei que tirasse o paletó e abrisse a blusa, quase em câmara lenta. Já tinha visto Madá nua muitas vezes, quando viajávamos juntas, mas desta vez era diferente. Ela estaria tirando a roupa para mim. Antes que desabotoasse o soutien, me levantei, saí do quarto e quando vi Aderbal fui logo dizendo: -Não deu nem pra chegar nos seios. Não sinto a mínima atração física por ela.
Escrito por Rail às 23h08
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-Mas do que você está falando? -Oras! Tentei fantasiar uma transa com minha parceira lésbica, como você insinuou com todas as letras, mas infelizmente não sinto nenhum tesão por ela. -Você é louca? -Devo ser pra estar com um homem que convive comigo há tanto tempo e agride uma amizade de tantos anos. Mas até que seria ótimo se fosse, pois ela é uma pessoa muito interessante, inteligente, agradável e que acima de tudo me entende e de quem eu gosto muito. Sem contar que não entendo cabeça de homem e vocês não compreendem nadica de nada de mulher. Por falar em homossexual, até hoje não compreendi porque a preferência nacional por bunda? Não é a parte do corpo da mulher mais semelhante com a do homem? Sem contar que quando vocês homens apreciam nossa bunda, não dá pra ver as partes que são mais femininas: os seios e a ...deixa pra lá. Ah! Se eu pudesse optar... eu ia preferir namorar outra mulher. Apenas três coisas não gosto: Quando o homem é maravilhoso e paquera meu amigo, não eu; O fato de levarem um tempo para se assumirem e quando o fazem querem que a família aceite esta idéia de imediato; E por último e principalmente, não gosto que as mães se sintam culpadas.
Escrito por Rail às 23h05
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O pavão e a bunda da Yara
Há muitos anos fui obrigada a me desfazer do casal de pavões que enfeitava o meu jardim e protegia a minha casa, com o som de corneta que soltavam, quando alguém se aproximava do lado de fora do muro que a cercava.
Na época coloquei anúncio no jornal por um preço bem absurdo, na esperança que não aparecesse ninguém para comprar.
Doce ilusão. Não é que surge em minha casa, um senhor que se apresentou como um feliz interessado.
Foi logo me contado que era coronel e hindu, o que aliás sua aparência não negava, e que tinha fortes recordações de sua infância na Índia, onde seu divertimento era caçar e seu prazer era comer pavões.
-Minha filha está morando no Morumbi, sua casa tem uma enorme área verde e eu gostaria muito de poder presenteá-la neste Natal com o casal de pavões, assim poderei reviver minha infância e curtir os animais que ficarão na casa dela.
-O senhor tem certeza que não vai colocá-los na panela e serví-los na ceia? Pergunto apreensiva.
-Minha senhora, fique tranqüila, por este preço não dá para comê-los!
A venda foi efetuada, pagamento em dólar e entrega imediata.
Numa infeliz coincidência, assim que o Coronel sai, chega em casa Yara, minha grande amiga, linda e desvairada, chorando.
Eu ainda, sem poder me recuperar da perda, tenho que ouvir:
-Abigail, você nem pode imaginar o que aconteceu. Uma tragédia.
-Pelo amor de Deus! Diga logo. -Imagine que ontem fui transar com aquele homem maravilhoso, que venho saindo há tempos e quando fui tomar banho, depois do ato consumado é que reparei que eu estava com uma espinha na bunda.
Escrito por Rail às 19h32
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-Você está brincando, não é? Como pode uma mulher tão bonita e inteligente ficar tão burra numa situação como esta? Você deveria ter conhecido o meu pavão.
-O que?
-O meu casal de pavão, oras, que ficavam soltos perambulando pelo jardim.
Eu adorava ficar olhando a dança do pavão ao redor da pavoa, com seu rabo de penas azul e verde cintilante, se abrir na forma de um leque, tremer, fazendo soar o som do acasalamento. Ele todo garboso, formoso, com a cabeça altiva, orgulhoso, em nenhum momento olhava para os seus pés que são muito feios.
-Você está comparando o rabo do pavão com a minha bunda?
-Esta é a grande diferença, minha amiga. O macho exibe sua beleza, não dá bola ou esconde os seus defeitos, enquanto nós mulheres somos peritas em apontar nossas possíveis incorreções e nem percebemos a nossa real lindeza.
-Abigail, continuo arrasada com o meu fiasco.
-Não se preocupe querida você como a maioria de nós mulheres, casamos com aquilo que nos atrai e passamos o resto da vida apontado para os pés de nossos pavões. E pior ainda, ensinamos nossos parceiros a verem os defeitos nas outras mulheres, mesmo que para isso tenhamos que dar uma aula sobre estrias ou celulite, assuntos que para eles não fazem a mínima diferença.
-Mas e se ele reparou na minha espinha?
-Com certeza nunca mais irá olhar ou desejar você.
-Jura? ela insiste
-Já ouviu falar em ironia? respondo
Mais anos se passaram. Yara, numa das tardes de jogar conversa fora, num café próximo a minha casa, volta a chorar.
-O que aconteceu, querida?
-Amiga, que tristeza. Agora me dou conta de como eu era bonita e não sabia.
-Infelizmente só percebemos isso quando envelhecemos.
Natal chegando e mais uma vez eu fico pensando que fim levou o meu pavão.
Escrito por Rail às 19h31
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Frio...fria
Noite de frio, muito frio em São Paulo.
Saio a 1:30 da madrugada da casa de Eleonora. O papo estava ótimo, regado a vinho com banho de calor da lareira.
Ligo o ar quente de meu carro, coloco o CD de Caetano e sigo meu caminho. Como todos os últimos seis meses, sozinha e bem acompanhada de mim mesma.
Estou chegando no cruzamento da Rua Venezuela com a Av. Brasil e vejo um garoto, até bem agasalhado com casaco e gorro, sentado numa mureta. Percebo que está chorando, o rosto coberto de lágrimas silenciosas.
Me aproximo, abaixo o vidro da janela do carro, faço um sinal para que venha pra perto de mim e pergunto o que está acontecendo.
Ele me mostra uma caixa, quase completa de chicletes e dropes e diz:
- Enquanto eu não vender tudo não posso ir pra casa.
- Quanto é?
- 18 reais
Eu, que nunca tenho dinheiro em minha bolsa, só talão de cheque e cartão, nesta noite carrego 20 reais.
- Tome o dinheiro e me prometa que vai pra casa.
Ele pega a nota e me entrega a caixa.
Nesse momento se aproxima um carro que pára ao meu lado. São três moças que, após se inteirarem do assunto, se prontificam a ajudar.
Nos despedimos e fico parada olhando pra ter certeza que o garoto foi embora.
Tristeza, miséria de vida. Uma criança de 10 anos num corpo de 8...
Eu não deveria me surpreender ou me angustiar, afinal todo o dia, em todos os lugares existe esta cena. Porque me incomoda tanto?
Entro em casa, telefono para a minha amiga pra avisar que cheguei e relato o ocorrido, na esperança de que vou me livrar deste sentimento de indignação. Ela ouve a história pacientemente e diz:
- Fingimento
- Claro que não!
- Como você é boba!
- Ele não viu que eu estava olhando quando chorava. Insisto.
- Fingimento
- Pior ainda, respondo com raiva dela.
Desligo e me vem a sensação de que aquela, que eu pensava ser amiga, é mais fria do que a noite lá fora.
Miséria, miséria humana.
Escrito por Rail às 16h21
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Bodas de separação
Dê uma olhada a sua volta e descubra que as pessoas que se separam, em sua maioria, enterram o lado bom do casamento e passam a remoer as lembranças ruins. Tudo bem, pode ser até uma forma de suportar a perda. Mas, no caso de viuvez, geralmente acontece exatamente o contrário: quem foi era tão bom!
Donde se conclui: quando o matrimônio vai muito mal, um dos cônjuges devia ter a delicadeza de morrer.
Depois de algum tempo da relação você percebe que ninguém muda ninguém, então restam apenas duas alternativas, mais ou menos sadias: aceitar e ceder ou pular fora.
Conselho: é mais fácil azucrinar o parceiro e deixar que ele tome esta decisão. É o que a maioria dos homens faz e que vão me matar depois desta divulgação. Socorro!
Outra forma infalível é dar uma relaxada no visual e convidar aquela sua amiga gostosa (que acha que seu marido é tudo de bom) para se hospedar em sua casa.
Durante doze anos eu perguntei aos meus advogados: “ele me vale mais vivo ou morto?” Como nunca obtive resposta dos ilustres causídicos (afinal homem é solidário até nestas horas) fui desenvolvendo um ódio tão grande pelo ex, que passamos a disputar “quem sacaneava mais o outro”. As brigas passaram a ser maiores que da época de casado e não tínhamos o lado bom do mesmo.
Na ocasião eu ainda não conhecia a frase de Malachy McCourt: “Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”, mas já percebia os sintomas. Um dia resolvi tomar vergonha, ser inteligente e parar de martirizar a mim e principalmente as crianças que não tinham absolutamente nada com isso.
Como havia sempre a ameaça de tirar a guarda das crianças de meu poder, eu não ousei me casar novamente, mas quando ele se casou...
Ah! A dor foi tão grande que quase enlouqueci.
Escrito por Rail às 17h01
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Não era ciúme. Foi inveja mesmo, uma inveja terrível, por ele estar refazendo sua vida, estar amando novamente e eu não.
Só tinha um jeito para reverter a situação: um exercício sobre-humano de tentar recordar o lado bom de nosso casamento, não entrar mais nas provocações agressivas e obrigá-lo a perceber que eu queria me tornar apenas sua amiga.
Foi um trabalho de remanejamento das emoções, que durou quase um ano para ele perceber que eu tinha arrancado de mim todo rancor e que não tinha mais volta: nem da raiva, nem da relação amorosa.
Passamos a nos encontrar as escondidas, pois precisávamos conversar sobre, principalmente nesta fase de adolescência, nossas não mais crianças. E sua atual esposa morria de ciúmes de mim. Nos divertimos muito neste período.
Minha vingança:
_ No dia em que você morrer (pois claro, que você vai bater as botas antes de mim) eu vou ao seu enterro com um chapéu maravilhoso, salto alto, vestido justo e decotado, toda de preto. Vou chorar tanto, me jogar em cima do caixão e num tom que sua mulher possa ouvir, dizer: Ele me ajudou até o último instante, o que será de mim?
Assim ela não poderá aporrinhar sua paciência por você estar conversando comigo. Estará morto mesmo.
Meu arrependimento:
Pro resto de minha vida, vou pedir perdão aos meus filhos por terem presenciado os anos negros de nossa separação.
Hoje, que completamos 25 anos de separação e que você se tornou meu grande amigo, agradeço a Deus por você estar vivo.
Amo você de maneira especial como amo os seus filhos, os irmãos de meus filhos.
Sinto muito ter demorado tanto tempo pra perceber que quando um não quer...E que os filhos não merecem.
Feliz Bodas de Prata de Separação.
Escrito por Rail às 16h59
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Eta coisa besta! Vou para cozinha preparar um cafezinho. Minha amiga vai chegar e hoje estamos tão chateadas que o melhor é já deixar tudo pronto para nossa conversinha. - Posso entrar menina? Ouço Cacilda gritar da sala. - Claro! Hoje estou prática, adiantando tudo, café, porta e coração abertos. - É, parece que está com a corda toda. - Amiga, não fique triste não há nada que não se ajeite. - Tá bom, otimista! Vou logo falando o que está me agoniando. Acho que aquele filho da mãe do Augusto está me traindo. - De onde você tirou esta idéia? - Ele me falou que precisava conversar com a ex. Sei. E até agora não me ligou. Acho que deve estar rolando algo. - Se passado fosse bom, seria presente. - Vou matar aquele maldito! São todos uns galinhas. - Sabe qual é o problema? Nada como ter amigos homens pra descobrir suas fraquezas. O que, aliás, está me cansando, pois estou procurando suas fortalezas. Só há uma forma de amar, ou você confia ou desiste. Quanto mais penso sobre infidelidade, percebo o quanto a gente se engana. Cansei desse papo que os homens traem e as mulheres são as sofredoras. É só perguntar para qualquer homem se já teve experiência com mulheres casadas e a maioria confessa, com orgulho, que sim. Logo, nós mulheres somos tão infiéis quanto, mas preferimos acreditar que eles possuem o monopólio do desejo! - Estou percebendo uma pontinha de raiva? - É ódio mesmo! Quando paro pra pensar nestes garotões minhas emoções vão variando, de amor a pena, de pena a raiva. Tem horas que nem eu mesma agüento tanta burrice e o pior que não estou me referindo só aos machos. - A que você está se referindo? Mulher atacada.
Escrito por Rail às 21h46
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- Você mais do que ninguém sabe o quanto procuro por em prática o que sinto que é verdadeiro. Pois bem, pra meu castigo Deus me deu um filho homem, que eu adoro, que cuidei com tanto carinho, coloquei talco no bumbum, ensinei todas as noções de higiene. Passei toda sua adolescência discutindo sobre sexo, explicando que não encontrei o pauzinho dele no lixo. Esgotei todos os aspectos sobre o papel do homem em ser responsável com seus sentimentos e ter respeito com as mulheres. Certo? - Isso é verdade, completou Cacilda, presenciei uma vez você dizer a ele que considerasse as mulheres do mesmo modo como gostaria que tratassem suas irmãs e mãe. - Pois bem, eu falei para ele, com todas as letras, que ter relações com prostituta ou empregada doméstica, como tiveram todos os homens de nossa geração e de anteriores, não tem mais sentido. Que atualmente ele podia ter experiência com meninas iguais as suas irmãs. Sabe o que aconteceu? - Não me diga que é o que estou pensando? - Infelizmente, a pressão dos amigos e principalmente dos pais e tios foi mais forte que meu discurso e para minha total decepção houve a conivência das mães dos amigos. Sabe qual foi a resposta de Adroaldo, quando lhe perguntei se tinha sido bom, transar com prostituta, já que o ato tinha sido consumado? - Não fez minha cabeça, você tinha razão mamãe! E só há uma conclusão: se mãe fala, se posiciona é uma chata e se fica quieta, não se intromete é uma alienada. - Vamos encher a cara de café, nos embebedar com a voz da Bethânia e esquecer que homens e filhos existem. E que me perdoem os puristas, mas ser mulher e mãe as vezes enche o saco!
Escrito por Rail às 21h42
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A quem queremos enganar?
- Norminha, todo mundo sabe, e se não sabe deveria saber, que paixão é algo que dura de seis a oito meses. É aquele sentimento que deixa a gente cega, surda, muda e (como diz minha irmã) burra.
Após este período ensandecido, maravilhoso e necessário, na vida de qualquer ser humano que se preze, caímos na realidade (que é algo que vem sempre depois da tentação), isto é: passamos a enxergar o outro, a audição retorna junto com a inteligência e aí você descobre que tem apenas 3 alternativas ou caminhos.
A 1ª é a mais triste, quando você percebe que gastou toda sua energia com um equívoco, que alguns chamam de sapo, ou lagartixa ou qualquer outro sinônimo de xingamento que queira utilizar. Nessas horas você tem todo direito de falar muitos palavrões e não adianta comprar o “chicote do padre” para bater nas costas, pois este pecado, viche, este pecado...Todos cometemos.
A 2ª possibilidade é você descobrir que a pessoa a sua frente é legalzinha, bonitinha, cheirosinha, mas é tudo “inha” e então você a coloca no rol dos amigos, caso ela seja tão interessante a ponto de aceitar esta nova posição.
Ah! a 3ª esta é a grande jogada, você vê seu grande amor, aquela pessoa com quem realmente deseja ficar, que confirma suas qualidades e que até seus defeitos são adoráveis.
Então, podemos concluir que no período que fizemos sexo, não foi "fazer amor". E vamos colocar ordem nesta questão.
Escrito por Rail às 10h52
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Se vamos para a cama ou qualquer outro lugar com uma pessoa que nos acarinhamos e rola o resto, na fase da paixão, então o que estamos fazendo é tatear ou explorar terreno.
Se for no caso de carência afetiva, estamos literalmente tapando um vazio, mas caso ocorra de ter se tornado um amigo, então fizemos um grande abraço.
Agora se formos por questões de segurança financeira, aí sim estamos fazendo sexo.
- Norminha querida, tudo é possível. Nós mulheres precisamos enfrentar esta difícil, árdua e dolorosa tarefa que é a de termos prazer sem culpa ou justificativa.
Depois da primeira, ninguém volta a ser virgem. E pureza é coisa para santa ou anja.
Se for por questão de imagem, do que os outros vão dizer, não se preocupe pense apenas: podem acabar com minha reputação, desde que eu tenha tido prazer.
Mas se você disser para um homem que só “faz amor” para agradá-lo, acho que é um grande engano: saiba que este homem deve ficar felicíssimo em saber que foi escolhido entre tantos, inclusive na sua performance sexual.
Paixão, sexo ou tapa vazio são experiências, treinamento, aperitivo, tira-gosto e absolutamente obrigatório o uso de camisinha.
Somente fazemos amor quando amamos e existe a recíproca, aí é um fim de semana completo, é café da manhã, é almoço é jantar, é banquete, enfim é plenitude.
Escrito por Rail às 10h51
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A escolha
Desta vez me pegaram num momento de fraqueza. Agüento bem pressões, mas o círculo estava se fechando. Em qualquer lugar que fosse, lá estava um chato pra me dizer; se quiser fazer isso, faça longe de mim.
Nunca pensei em sofrer censura nesta idade. Quem nesta altura do campeonato não sabe o que faz bem e o que faz mal? Sabia que poderia escolher até o que fosse pior pra mim, ainda mais depois de ter ouvido a frase (não sei onde): saúde provoca velhice.
Ter você depois do café da manhã, ou logo após o jantar dava um prazer tão grande, era quase um orgasmo.
- Abigail, não diga essas coisas! Sua neta vai ler esta crônica. Tá louca mulher?
Agora mais esta censura, mas não vou me controlar. Quero mais é que meus netos tenham o que falar de mim quando crescerem e forem fazer análise.
Tudo começou de um ano pra cá: meus amigos começaram, por influência médica, a abandonar o vício, daí um pulo pra se tornarem os maiores garotos propaganda contra o bendito.
Enquanto era só discurso eu conseguia driblar a situação expondo que meus queridos parentes e considerados que tinham morrido de câncer ou enfarte nunca fumaram ou beberam, exceto um. É claro! Só pra me contrariar.
Mas a história foi se agravando: o terraço da casa dos amigos virou fumódromo. Tinha agora que escolher namorado fumante, para evitar aporrinhação.
Adorava a frase de minha mãe, então com 88 anos, quando meu pai a censurava por tomar meio copo de cerveja no almoço de domingo:
- Chico, você não come, não bebe, não fuma, não também...: tá vivendo pra que, homem?
Escrito por Rail às 21h09
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Santa sabedoria, mulher inteligente.
Quando achava que já tinha me acostumado com tudo, surgiu a necessidade de engordar, pois eu estava parecendo ter chegado de Biafra. No meu caso, nada como uma boa preocupação para emagrecer.
Os amigos se assustaram, confessaram mais tarde que até pensaram em preparar um belo traje preto pra me acompanhar na cerimônia do fogaréu.
Foi quando o médico sentenciou:
- Os resultados do laboratório mostram que você está bem, mas se não engordar em um mês serei obrigado a fazer exames mais minuciosos.
E eu, uma mulher que enfrentou as maiores adversidades, mas que morre de medo de injeção, resolvi correr atrás da comida.
Aí passei a sofrer com a ditadura dos gordinhos.
Tente ir ao supermercado comprar comida que engorda: você fica igual uma louca procurando alimentos que não tenha esta informação: % sem gordura, produto light ou diet.
Passei a comer pão com geléia, creme de leite batido com açúcar, pizza, batata, refrigerante e muito, mas muito chocolate e resolvi apelar: larguei o cigarro.
Nada mudou. Percebo apenas que durmo menos horas e mais profundamente. Acordo cedo sem despertador, trabalho com prazer e sinto uma felicidade que irrita a maioria que está ao meu lado.
Comecei a cuidar dos vasos de flores que ganhei, as plantinhas morreram e renasceram, não sei se porque ando conversando com elas.
Ontem encontrei mamãe e ela que não mente nunca, me disse:
- Pare de engordar, já ta passando do ponto.
E o pior é que não sinto mais vontade de fumar.
Escrito por Rail às 21h06
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O Virtual e o Real Que medo! Preciso ligar pra Dalvinha e contar tudo pra ela, senão vou estourar de ansiedade. Ela é minha melhor amiga e vai me ajudar. Esse é meu primeiro encontro com Rodolfo, um cara lindo que conheci no Orkut. Tem mil garotas no perfil dele, mas ele me convidou pra sair. Disse que meu papo é mais inteligente e sensual e que vai me levar pra jantar num lugar especial. Meu Deus! Tenho que estar linda, ser inteligente, engraçada e sensual. Será que esqueci alguma coisa? Dalvinha tenta me acalmar sendo racional e diz pra eu ter cuidado, pois ele pode apenas querer transar comigo. - Ops! E se ele não quiser? Ela insiste que eu vá com meu carro e sem dúvida num local público, porque se você não gostar dele você sai de fininho e é mais seguro. Fico indignada: como não vou gostar dele? Ele será o pai dos meus filhos. - E se ele não gostar de você? - Dalvinha! Tendo você de amiga, não preciso de inimigo. Pensei que você fosse ficar feliz por mim e me dar a maior força. - Está bem, mas pense no que pode acontecer. Primeira possibilidade: ele gostar de você e você não se entusiasmar por ele; segunda: você se apaixonar e ele não ficar nem aí, terceira: nenhum dos dois se curtirem e por último: amor a primeira vista. Amiga! São apenas 25% de chance de dar certo. Certo? - Tchau Dalvinha, estou indo pro cabeleireiro, depois nos falamos. Ufa! Consegui me livrar dos medos dela.
Escrito por Rail às 20h19
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Agora preciso me preocupar com meu visual: hidratar meu cabelo e fazer um corte moderno; por um esmalte chocante nas unhas do pé e da mão, depilação geral com cera quente e afinar as sobrancelhas. Ai, como dói! Creme maneiro para tirar estes cravos, aquele hidratante pro corpo que deixa a pele macia, macia. Comprar aquele sapato maravilhoso pra combinar com minha calça preta, minha camisa lilás e meu casaco de couro preto. Quero ficar igual a Gisele B. (que ódio)! Vou pegar emprestado o relógio da minha irmã, vou colocar os brincos da Britney Spears e o cinto deslumbrante do Versace que ganhei do meu ex. E mais: preciso de calcinha e soutien novos, pois vamos cair nos braços um do outro e acabo não resistindo e indo pra cama com ele no primeiro encontro. (apesar da polêmica se devo ou não). Vou ficar endividada pro resto da vida (trezentos e setenta e seis reais), mas quando encontrar com Rodolfo a gente não vai se desgrudar mais: vamos casar, ter dois filhos, morar naquele chalezinho da praia de Maresias e ele vai me amar pro resto da vida. Cena jantar: Ele é realmente bonitinho, o jantar está perfeito, o lugar que ele escolheu não podia ser mais romântico e o vinho que ele pediu é de deixar qualquer uma apaixonada. O garçom se aproxima e entrega a conta. Rodolfo pega o cartão de crédito, olha dentro nos meus olhos, segura minha mão e diz: - Paixão, setenta e cinco reais pra mim e setenta e cinco reais pra você. O estacionamento é por minha conta.
Escrito por Rail às 20h18
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